Advogada Padrão
Dra. Cláudia Saboya, Advogada Padrão
Entre os colegas, o trabalho já era reconhecido. Mas a surpresa maior veio depois de 38 anos de profissão. A medalha de Advogada Padrão concedida pela Ordem dos Advogados do Brasil Secção Ceará (OAB-Ce) surpreendeu até a própria Procuradora Cláudia Maria Martins de Saboya. É a primeira vez que uma advogada pública recebe uma homenagem como essa.

A medalha é oferecida aos profissionais que têm pelo menos 30 anos de inscrição na Ordem dos Advogados. É preciso também ter conduta moral, profissional, ética, além de demonstrar serviços na área jurídica em benefício da coletividade.

A iniciativa de homenagear a Advogada foi do Presidente da OAB-Ce, Paulo Quezado, apoiado pela Conselheira da OAB-Ce, Dra. Rosângela Vieira. “Foi uma surpresa e uma satisfação, porque eu acho que sempre trabalhei no Direito para solução de conflitos, fosse na advocacia pública, fosse como Defensora Pública ou como advogada particular”, comenta Cláudia Saboya. O currículo da Procuradora honra a medalha: com 39 anos de trabalho na área jurídica, Cláudia já advogou na área particular, mas o forte da sua carreira é a advocacia pública e o magistério.

Sempre muito dedicada a profissão, Cláudia Saboya cresceu com o direito porque provém de uma família de advogados. O pai, Cláudio Martins, foi Notário Público, Professor, Secretário de Educação, Administração e Fazenda. Seus tios também foram professores de Direito e, mesmo criada num ambiente onde predominava o Direito, Cláudia Saboya ainda pensou em ser médica. A carreira profissional da Procuradora começou como Serventuária de Justiça. Depois foi Advogada de Oficio por 10 anos, o que corresponde hoje ao Defensor Público.

“Eu adorava o mister porque ser advogada de quem não pode pagar é extremamente gratificante”, explica a Procuradora. Em 1978, ela passou no concurso para Procurador de Estado, em segundo lugar, e começou a trabalhar na Consultoria. Em 1990, obteve a melhor média no concurso para Juiz do Trabalho e lá ficou como Juíza Substituta durante quatro anos. Mas a paixão de Cláudia Saboya era a Advocacia Pública. Então, voltou para a Procuradoria e foi convidada para chefiar a Procuradoria de Processo Administrativo-Disciplinar (Propad), onde permanece até hoje.

Ao lado de todo esse trabalho, a Procuradora ainda ministrava aulas na Universidade de Fortaleza (Unifor) e na Universidade Federal do Ceará (UFC). “Eu dava aula na Unifor pela manhã, trabalhava na Procuradoria à tarde e à noite ensinava na Faculdade de Direito da Federal. Foi muito difícil, mas eu adorava ensinar, gosto de transmitir conhecimentos e de orientar estagiários”, relata Cláudia Saboya. Ainda sobre a medalha: “Penso que eles quiseram homenagear uma Advogada Pública. Por isso, eu recebo essa homenagem como se fôra não só para minha pessoa, mas para todas as Advogadas do Ceará que exercem Advocacia Pública”.


Na vida pessoal e na profissão: uma guerreira
Cláudia Saboya

Ainda no terceiro ano da Faculdade de Direito, casou-se com o colega Armando Cavalcanti Saboya, que viria a ser Consultor Jurídico do Estado, além de Advogado militante, continuando o curso até a colação de grau em 1964. O filho mais velho, Armando Cavalcanti Saboya Filho nasceu no último ano da faculdade. Depois vieram mais duas, Cristina Maria e Sílvia Maria, ambas formadas em Direito, a segunda casada com Marco Antônio Amora, sendo o casal pais de seus três netos, Luís Armando, Lucas e Marco Antônio. O casamento e o nascimento dos filhos, porém, não impediram Cláudia Martins Saboya de continuar a perseguir seus sonhos profissionais.

O marido faleceu aos 35 anos, ensejando que ela criasse sozinha os filhos, paralelamente ao exercício da profissão. Mesmo quando sofreu a perda do filho mais velho, também era advogado, aos 24 anos, a Procuradora não deixou a profissão. “Quando perdi meu filho atravessei uma fase terrível, mas todos da Procuradoria agiram como verdadeiros irmãos, especialmente minha amiga Susana Pinheiro Pinto e meus colegas Veleda Bastos, Jaçuleide Martins, Angélica Ximenes Socorro Ximenes, Pedro Henrique G. de Castro, José Audízio Pereira, Bonfim Carneiro, Valmir Pontes Filho, Jesus Fernandes Oliveira e Fernando Ximenes, hoje Desembargador, dando apoio, compreensão e força para que eu continuasse a luta”, declara Cláudia. Segundo ela, a forte corrente feita pelos amigos da Procuradoria e da Universidade Federal, onde lecionava, fez com que continuasse suas atividades, apesar de muitos pensarem que iria parar. Seu lema, porém, sempre foi: insistir, persistir, não desistir jamais.

Para ela, exarar um parecer sobre o reconhecimento ou não de um direito, assim como prolatar uma sentença, é atuar na defesa de interesses não somente dos particulares, como também no interesse público, exigindo do aplicador do Direito o máximo cuidado para agir com justiça. “Devemos trabalhar com muita dedicação, porque se você não ama sua profissão jamais estará realizado. No meu caso, sinto-me plenamente realizada porque tudo que desejei profissionalmente consegui, com meu esforço e a ajuda do ser supremo que sempre dirigiu meus passos: DEUS”, finaliza Cláudia Martins Saboya.