A iniciativa de homenagear a Advogada foi do Presidente da OAB-Ce,
Paulo Quezado, apoiado pela Conselheira da OAB-Ce, Dra. Rosângela
Vieira. “Foi uma surpresa e uma satisfação,
porque eu acho que sempre trabalhei no Direito para solução
de conflitos, fosse na advocacia pública, fosse como Defensora
Pública ou como advogada particular”, comenta Cláudia
Saboya. O currículo da Procuradora honra a medalha: com
39 anos de trabalho na área jurídica, Cláudia
já advogou na área particular, mas o forte da sua
carreira é a advocacia pública e o magistério.
Sempre muito dedicada a profissão, Cláudia Saboya
cresceu com o direito porque provém de uma família
de advogados. O pai, Cláudio Martins, foi Notário
Público, Professor, Secretário de Educação,
Administração e Fazenda. Seus tios também
foram professores de Direito e, mesmo criada num ambiente onde
predominava o Direito, Cláudia Saboya ainda pensou em ser
médica. A carreira profissional da Procuradora começou
como Serventuária de Justiça. Depois foi Advogada
de Oficio por 10 anos, o que corresponde hoje ao Defensor Público.
“Eu adorava o mister porque ser advogada de quem não
pode pagar é extremamente gratificante”, explica
a Procuradora. Em 1978, ela passou no concurso para Procurador
de Estado, em segundo lugar, e começou a trabalhar na Consultoria.
Em 1990, obteve a melhor média no concurso para Juiz do
Trabalho e lá ficou como Juíza Substituta durante
quatro anos. Mas a paixão de Cláudia Saboya era
a Advocacia Pública. Então, voltou para a Procuradoria
e foi convidada para chefiar a Procuradoria de Processo Administrativo-Disciplinar
(Propad), onde permanece até hoje.
Ao lado de todo esse trabalho, a Procuradora ainda ministrava
aulas na Universidade de Fortaleza (Unifor) e na Universidade
Federal do Ceará (UFC). “Eu dava aula na Unifor pela
manhã, trabalhava na Procuradoria à tarde e à
noite ensinava na Faculdade de Direito da Federal. Foi muito difícil,
mas eu adorava ensinar, gosto de transmitir conhecimentos e de
orientar estagiários”, relata Cláudia Saboya.
Ainda sobre a medalha: “Penso que eles quiseram homenagear
uma Advogada Pública. Por isso, eu recebo essa homenagem
como se fôra não só para minha pessoa, mas
para todas as Advogadas do Ceará que exercem Advocacia
Pública”.
Na vida pessoal e na profissão:
uma guerreira
Cláudia Saboya
Ainda no terceiro ano da Faculdade de Direito, casou-se com o
colega Armando Cavalcanti Saboya, que viria a ser Consultor Jurídico
do Estado, além de Advogado militante, continuando o curso
até a colação de grau em 1964. O filho mais
velho, Armando Cavalcanti Saboya Filho nasceu no último
ano da faculdade. Depois vieram mais duas, Cristina Maria e Sílvia
Maria, ambas formadas em Direito, a segunda casada com Marco Antônio
Amora, sendo o casal pais de seus três netos, Luís
Armando, Lucas e Marco Antônio. O casamento e o nascimento
dos filhos, porém, não impediram Cláudia
Martins Saboya de continuar a perseguir seus sonhos profissionais.
O marido faleceu aos 35 anos, ensejando que ela criasse sozinha
os filhos, paralelamente ao exercício da profissão.
Mesmo quando sofreu a perda do filho mais velho, também
era advogado, aos 24 anos, a Procuradora não deixou a profissão.
“Quando perdi meu filho atravessei uma fase terrível,
mas todos da Procuradoria agiram como verdadeiros irmãos,
especialmente minha amiga Susana Pinheiro Pinto e meus colegas
Veleda Bastos, Jaçuleide Martins, Angélica Ximenes
Socorro Ximenes, Pedro Henrique G. de Castro, José Audízio
Pereira, Bonfim Carneiro, Valmir Pontes Filho, Jesus Fernandes
Oliveira e Fernando Ximenes, hoje Desembargador, dando apoio,
compreensão e força para que eu continuasse a luta”,
declara Cláudia. Segundo ela, a forte corrente feita pelos
amigos da Procuradoria e da Universidade Federal, onde lecionava,
fez com que continuasse suas atividades, apesar de muitos pensarem
que iria parar. Seu lema, porém, sempre foi: insistir,
persistir, não desistir jamais.
Para ela, exarar um parecer sobre o reconhecimento ou não
de um direito, assim como prolatar uma sentença, é
atuar na defesa de interesses não somente dos particulares,
como também no interesse público, exigindo do aplicador
do Direito o máximo cuidado para agir com justiça.
“Devemos trabalhar com muita dedicação, porque
se você não ama sua profissão jamais estará
realizado. No meu caso, sinto-me plenamente realizada porque tudo
que desejei profissionalmente consegui, com meu esforço
e a ajuda do ser supremo que sempre dirigiu meus passos: DEUS”,
finaliza Cláudia Martins Saboya.