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Ao eleger a defesa do patrimônio público como uma das
prioridades no trabalho, o procurador do Estado Ubiratan Andrade
sabia que a tarefa não seria fácil porque precisaria
enfrentar resistências em vários setores. “Só
que, confesso, não pensei que fosse encontrar tantas dificuldades
na obtenção de tal objetivo, pois ainda é grande
o número de pessoas descompromissadas com a coisa pública”.
Ele reconhece, no entanto, que isso é uma questão
cultural que só será resolvida com muita educação
e mudança de consciência.
Os obstáculos não impediram Ubiratan de seguir a meta
que havia traçado para sua trajetória profissional.
Hoje, ele comemora 10 anos como procurador do Estado certo de ter
lutado com todos os recursos disponíveis. Para ele, “a
ética é um valor fundamental a ser perseguido por
qualquer ser humano que deseja crescer e ser feliz”. Na esfera
do Direito, ele avalia que a ética assume uma conotação
especial, “pois quando o profissional se afasta dela, certamente
estará concorrendo de forma contundente para a prática
da injustiça”.
Ubiratan Andrade atua no Contencioso Administrativo Tributário
(CAT) da Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz) e na Procuradoria
Judicial da Procuradoria Geral do Estado (PGE). O trabalho dele
junto ao CAT evita demandas judiciais desnecessárias e ajuda
também a aumentar a arrecadação do Estado.
Ele explicou que quando sustenta a ilegalidade de autos com vícios
de fundo ou de forma, além de fazer justiça ao contribuinte,
o Estado é beneficiado porque são evitados processos
judiciais contra a Administração Pública.
Em outros casos, estando caracterizadas a legalidade e a legitimidade
da autuação fiscal, a Procuradoria procura envidar
todos os esforços no sentido de confirmar a autuação,
participando de debates, inclusive com a sustentação
oral junto à Câmara de Julgamentos. Para se ter uma
idéia do que isso significa para os cofres públicos,
só neste ano as autuações fiscais confirmadas
pela 2ª Câmara, onde atua, evitaram uma evasão
de recursos estimada em mais de R$ 100 milhões.
Ubiratan Andrade lamenta que a Procuradoria Geral do Estado (PGE)
não tenha a estrutura necessária para a agilização
dos trabalhos. “Minha angústia principal se deve ao
fato de que atualmente devido ao diminuto quadro de procuradores
não temos a condição de desenvolver com profundidade
necessária muitos dos trabalhos que estão na nossa
alçada. E toda pessoa séria e responsável sofre
muito com isso”, avalia.
O dia-a-dia do procurador é atribulado porque a quantidade
de processos a cada dia aumenta e não há funcionários
suficientes para analisá-los. “Não são
poucas as vezes em que sou obrigado a sair correndo de uma audiência
na Justiça do Trabalho para as sessões de julgamento
do Contencioso Administrativo e vice-versa. Tal estado de coisas
gera um estresse muito grande, pois em muitos desses julgamentos
estão em discussão processos de grande monta”.
A PGE mantém 38 procuradores em seus quadros, mas, a partir
de janeiro, esse número será ampliado com a posse
de 30 procuradores aprovados em recente concurso público.
Apesar das dificuldades, Ubiratan destaca a importância da
Associação dos Procuradores do Estado do Ceará
(Apece) que tem procurado unir cada vez mais a categoria lutando
por novas conquistas.
Formado em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC)
em 1990, Ubiratan atuou dois anos como advogado e depois assumiu
o cargo de procurador do Município de Fortaleza em 1992.
Em 1994 assumiu o cargo de procurador do Estado. Embora se dedique
muito ao trabalho, ele sempre reserva um tempo especial para a família
e para o exercício da espiritualidade, “pois na verdade
os dois fatores estão muito interligados, já que a
família é uma verdadeira escola onde devemos exercitar
as lições de paciência, tolerância, sabedoria
e, principalmente, o amor”.
Casado com Mirtes Andrade, pai de Úrsula, 6 anos, e de Marcos
Vinicius, de 4 anos, Ubiratan mantém uma rotina semelhante
a de muitas famílias. Leva os filhos à praia, ao cinema
e procura estar sempre atualizado com leitura de livros e jornais.
Ele gosta de freqüentar um círculo de amigos que, através
do espiritismo, procuram aprofundar o conhecimento acerca da alma
e buscam, sobretudo, o crescimento interior. Ele diz que sem perder
a visão do futuro, tem vivido muito intensamente o presente,
“o que tem sido imprescindível para o meu bem-estar
e felicidade. É fundamental que saboreemos cada detalhe da
caminhada, pois na verdade vivemos sempre o hoje”, destacou.
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